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RESENHA: O Grito (2020)

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O grito

Passados 16 anos do lançamento de um remake que rendeu duas continuações (uma delas feita para lançamento em vídeo), temos aqui o quarto filme da franquia americana de “O Grito”.

O Grito

Era necessário? Claro que não! Mas sabe como é, os estúdios adoram ressuscitar toda e qualquer franquia, fazer algo “novo” com ela em um orçamento enxuto (aqui estimado entre 10 e 14 milhões de dólares) e, com sorte, mais sequências. Até porque se sabe que a maior fatia do público-alvo do longa não sabe mais quem é Sarah Michelle Gellar… Nem sequer devem se ligar que essa franquia, baseada em outra série de filmes japoneses, existia.

Curiosamente, tanto o filme de 2020 quanto o primeiro de 2004, conseguem refletir bastante o momento no qual eles foram lançados. “O Grito”, versão 2004, fez parte de uma leva de remakes hollywoodianos de filmes japoneses de terror que ganharam atenção internacional. Eram produções da era do terror juvenil feito para conseguir uma censura mais leve, PG-13, com muitos sustos e pouca violência gráfica. Não que o chamado J-Horror caia no gore, mas na hora da “tradução”, muito do desconforto e do clima opressor e minimalista desses filmes era perdido, com longas que não conseguiam (e nem se interessavam) em replicar o impacto dos originais. Também foi o caso de O CHAMADO, PULSE, ÁGUA NEGRA até se chegar ao fiasco que foi a refilmagem de UMA CHAMADA PERDIDA.

“O Grito”, versão 2020, vem sendo chamado de “sidequel”, por apresentar novamente uma narrativa fragmentada (igual ao JU-ON: O GRITO de 2002 e o seu remake), onde 4 histórias que se passam entre 2004 e 2006 na Pensilvânia são contadas em paralelo.

Um grande acerto do diretor e roteirista Nicolas Pesce (de THE EYES OF MY MOTHER) foi conseguir um elenco repleto de gente talentosa com uma ótima Andrea Riseborough no papel da detetive Muldoon, que mesmo alertada pelo seu parceiro, o amargurado detetive Goodwin (Demián Bichir), investiga uma série de mortes brutais que aparentam não ter nenhuma ligação, a não ser uma casa de número 44 em Reyburn Drive que então era ocupada pela família Landers.

É após entrar e sair do local que ela começa a ver e ouvir os fantasmas vingativos e sofrer alucinações, justamente como aconteceu com o detetive Wilson (William Sadler), o parceiro anterior de Goodwin. Através de sua investigação, ela passa a conhecer mais a fundo as histórias dos outros personagens, vividos por John Cho, Betty Gilpin, Jacki Weaver, Frankie Faison e por último, Lin Shaye, sendo uma velha sinistra pela enésima vez.

O novo filme não poupa muito o espectador de violência gráfica e apresenta um grupo de personagens adultos bem sofridos, que já passavam por momentos difíceis em suas vidas antes da chegada de qualquer ameaça sobrenatural, o que é uma surpresa no cenário atual de “filmes de fantasma de multiplex”. O porém é que o nível de tensão se iguala a zero, não só para quem tem um mínimo conhecimento da franquia, mas porque o espectador sabe de antemão o trágico destino da maioria dos personagens, todos subdesenvolvidos. Isso sem falar dos ‘jump scares’ que são de uma preguiça sem tamanho.

Do jeito que está, “O Grito”, versão 2020, é muito ‘trem fantasma’ para o público que gosta de um horror mais diferentão e lento demais para o pessoal fã do terror Blumhouse e cia. Ou seja, não agrada nem um e nem outro. O filme fica no meio termo, mas só por tentar alguma ousadia, em ser algo próximo de um “feel bad” disfarçado de terror comercial, ainda pode-se dizer que ele merece uma conferida, nem que seja para você tirar as suas próprias conclusões.

*Filme assistido em cabine de imprensa promovida pela Espaço Z

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RESENHA: As Faces do Demônio (2020)

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As Faces do Demônio

Pouco se vê do cinema sul-coreano nas salas multiplex do país. E de terror então, nem se fala! “AS FACES DO DEMÔNIO” (Byeonshin 변신), que entraria em cartaz em março deste ano se não fosse a pandemia da COVID-19, estreia agora nos cinemas. A insistência em não lançar o filme em VOD e streaming apesar da quarentena talvez seja sinal de uma abertura maior para produções de gênero da Ásia nas salas comerciais depois que “PARASITA” fez a festa no Oscar.

Este novo longa coreano já começa com os dois pés nas caixas do peito do espectador com um exorcismo pra lá de escatológico que acaba em tragédia, servindo pra nos apresentar os personagens principais: o padre e o demonho. Sequência nada sutil com vômito de sangue, muita ferida e nojeira. A cena é tão surtada que lembra clássicos como “A MORTE DO DEMÔNIO” de Sam Raimi. Mas quando somos apresentados a família que vai sofrer com o malassombro, logo o tom muda radicalmente, entrando num ritmo mais calmo como é de se esperar das produções asiáticas, porém com certa agilidade atípica.

A trama de “AS FACES DO DEMÔNIO” é muito boa, mas infelizmente sua sinopse e trailers entregam muitos spoilers. Eu sei que é difícil, mas se puder, evite-os. A direção de Hong-seon Kim é segura e nos traz uma situação cabulosa atrás da outra. Incrível como o cinema sul-coreano consegue entregar momentos brutos e ternos dentro de uma mesma situação, por mais desconfortável que seja. Pra não estragar, vou evitar descrever o desenrolar dos eventos, mas dá pra dizer que o clima de paranoia, ao bom estilo O ENIGMA DE OUTRO MUNDO do mestre carpinteiro, é muito bem construído e acaba sendo a base que sustenta toda trama. Porém, o diretor perde a mão quando tenta “enfeitar” alguns momentos que poderiam ser mais contidos.

O que chama atenção logo de cara, é a fotografia cristalina e com uma paleta de cor de fortes contrastes entre azul e laranja, típica do cinema mainstream de hollywood predominante, deixando claro que a produção foi feita pra o mercado internacional. Isso é ruim? Seria se fosse mal feito, o que não é o caso. Outra coisa que salta os olhos, é o trabalho de maquiagem artesanal, tanto do possuído como dos cadáveres que podem causar certa repulsa. O que incomoda mesmo é o mal uso de CGI em situações que não precisariam. Não é nem uma questão de purismo, é porque ficaram mal feitas mesmo.

Talvez, o problema aqui é que, para além da estética nitidamente feita pra o público internacional, temos excessos tipicamente hollywoodianos que vão agradar o público em geral, mas podem incomodar os apreciadores do horror asiático mais contido. É sério! Tem hora que a pessoa pergunta pra tela: “PRA QUÊ TUDO ISSO?”. Mas a situação principal concebida é tão intrigante que dá pra relevar esses “exageros ocidentalizados” e ficar tenso do mesmo jeito.

No geral, AS FACES DO DEMÔNIO é um bom filme não só pela narrativa equilibrada e aspectos técnicos, mas pela forma nada convencional de como é tratado o lance de possessão, tema tão mal explorado no cinema de horror nos últimos anos.

NOTA: É bom lembrar que ainda estamos em plena pandemia. Então, se for arriscar, ao menos respeite os protocolos de segurança.

Escala de tocância de terror:

Título original: Byeonshin
Direção: Hong-seon Kim
Roteiro: Kim Hyang-ji
Elenco: Sung-Woo Bae, Dong-il Sung, Young-nam Jang
Origem: Coréia do Sul

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RESENHA: #Alive (2020)

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Alive

O cinema sul coreano ganhou uma visibilidade incrivel nos últimos anos e hoje não é tão raro ver obras vindas de lá aportarem no cinema. Mas é claro que com a pandemia as coisas foram freadas e alguns filmes estão ganhando destaque via streaming. Este é o caso de #Alive, filme que estreou em seu país na reabertura dos cinemas com bastante êxito e está sendo distribuído mundialmente pela Netflix.

A trama acompanha um jovem rapaz, que sozinho no apartamento da família, tenta sobreviver a uma epidemia mortal que transforma os cidadãos em zumbis sedentos por carne humana. No passar de vários dias, com comida e água acabando e ataques cada vez piores das criaturas, o rapaz coloca em cheque a promessa que fez ao pai de sobreviver. E aos trancos e barrancos ele tentará cumprir o que foi pedido.

#Alive é um bom filme de zumbis que não coloca nada de novo na mesa, mas traz o básico que, em sua maior parte, é competente. O longa não enrola e logo nos primeiros minutos a confusão e o caos predominam. A primeira parte é a melhor, se passando em praticamente um único cenário, mostrando bem a sensação de solidão e medo do personagem com cenas de ação pontuais e mais comedidas. Vale comentar a ótima maquiagem dos monstros que lembram o conterrâneo “Invasão Zumbi” (Train to Busan).

Outra semelhança com o longa de zumbis mais famoso é a ambientação minimalista e o país. Sinceramente, essa sim deveria ser a sequência real dele, pois mesmo não sendo perfeita, se mostra bem superior à continuação oficial, chamanda “Península”.

Os problemas de #Alive vêm à tona em sua segunda metade, onde as sequências de ação se tornam inverossímeis demais (até para um filme de zumbis)… Meio que a produção se rende ao espetáculo ocidental apresentando exageros que tiram a atenção diversas vezes. O clímax acaba sendo forçado e emotivo demais querendo a todo custo arrancar lágrimas do público.

Concluindo… #Alive não é um divisor de águas do gênero, mas é divertido e tenso na maior parte de sua duração. Vale gastar o tempo assistindo as desventuras do protagonista e sua busca pela sobrevivência.

Escala de tocância de terror:

Título original: #Saraitda
Diretor: II Cho
Roteiro: II Cho,Matt Naylor
Elenco: Ah-in Yoo, Shin-Hye Park,Bae-soo Jeon e outros
País de origem: Coreia do Sul

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RESENHA: Dominação (2017)

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Dominação

[Por Felipe Macedo]

Estrelado por Aaron Eckhart e produzido por Jason Blum, “Dominação” (Incarnate) mais uma vez mostra a história de um jovem possuído por um demônio poderoso. Nosso herói aqui luta para derrotar o grande mal e salvar o dia. No entanto, o longa tenta vir com uma promessa de abordar o tema de uma forma diferente do que foi mostrado até hoje. (mais…)

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