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RESENHA: Butt Boy (2019)

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Butt Boy

[Por Frederico Toscano] *

Vamos logo deixar claro: “Butt Boy” é aquele filme de horror onde um cidadão ataca pessoas enfiando-as inteiras e vivas no próprio no rabo. Ainda quer ler sobre? Então vamos lá.

Tudo começa quando o protagonista Chip (Tyler Cormack, que também escreve e dirige) precisa fazer seu primeiro exame de toque retal. Desinteressante, buchudo, preso a um emprego detestável, casado com uma mulher que não o respeita e pai de um filho que não está muito aí para ele, Chip leva uma senhora dedada do seu – um tanto sádico e entusiasmado – médico. E gosta. Na verdade, adora. Até aí tudo bem, gosto é que nem cu, cada um tem o seu e com ele faz o que bem entende, já diz o antigo ditado que aprendi com minha avó.

O problema é que ele passa a incluir objetos do dia-a-dia em suas aventuras anais e, finalmente, pessoas inteiras. Deprimido com aquela obsessão incontrolável, ele amarra uma mangueira no pescoço, pula de um banquinho e dá adeus ao mundo e suas novas tentações. E tudo isso com menos de 15 minutos de filme, antes mesmo de surgir o título. É isso aí.

Nem precisa dizer que “Butt Boy” é um filme esquisito. Nunca fica claro, mas parece se passar na década de 1980 ou ao menos no início de 1990 – não há celulares, computadores ainda usam disquetes, etc. A estética acompanha o período retratado, com créditos em letras grandes e amarelas, fotografia granulada e uma trilha sonora de sintetizadores. Tyler Cormack retrata bem o loser americano, que detesta a própria vida em todos os aspectos e possui apenas um escape, que é meter coisas variadas no toba.

Depois da primeira vez, ficamos correndo os olhos pela tela, imaginando qual será o próximo objeto a fazer a viagem retal Chip adentro. E quando ele descobre o enorme prazer que sente ao absorver pessoas com seu bumbum voraz, ficamos tentando adivinhar qual será a próxima vítima. O chefe idiota? A esposa distante? O policial que o investiga?

O detetive Russel (Tyler Rice) é o típico homem da lei durão de filmes americanos oitentistas: sempre vestindo jaqueta de couro vermelho e fumando feito uma caipora, cansado da vida e com um trauma do passado que vai te surpreender no final. Alcóolatra, conhece Chip numa reunião dos A.A., e aí começa o jogo de gato e rato, enquanto o policial tenta deter um serial killer que quase não deixa traços. Porque soca as vítimas no rabo, naturalmente.

E antes que você pergunte: sim, o filme mostra explicitamente o assassino absorvendo suas vítimas pela bunda, e ainda vai além, em cenas que, MEUA MIGO, só vendo para crer. É horror na sua mais pura e escatológica forma até o explosivo final, nada fácil de, er, digerir. Não, não me arrependo da piada.

No final das contas, o quanto você vai gostar de Butt Boy vai depender muito da sua tolerância (ou fetiche, aqui ninguém julga ninguém) acerca de coisas entrando, coisas saindo e, de maneira geral, coisas interagindo com briocos. O que não se pode negar é que é um filme ousado, original, absurdo, assustador, engraçado e, principalmente, que é inacreditável que ele exista.

* Especial para o Toca O Terror

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RESENHA: As Faces do Demônio (2020)

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As Faces do Demônio

Pouco se vê do cinema sul-coreano nas salas multiplex do país. E de terror então, nem se fala! “AS FACES DO DEMÔNIO” (Byeonshin 변신), que entraria em cartaz em março deste ano se não fosse a pandemia da COVID-19, estreia agora nos cinemas. A insistência em não lançar o filme em VOD e streaming apesar da quarentena talvez seja sinal de uma abertura maior para produções de gênero da Ásia nas salas comerciais depois que “PARASITA” fez a festa no Oscar.

Este novo longa coreano já começa com os dois pés nas caixas do peito do espectador com um exorcismo pra lá de escatológico que acaba em tragédia, servindo pra nos apresentar os personagens principais: o padre e o demonho. Sequência nada sutil com vômito de sangue, muita ferida e nojeira. A cena é tão surtada que lembra clássicos como “A MORTE DO DEMÔNIO” de Sam Raimi. Mas quando somos apresentados a família que vai sofrer com o malassombro, logo o tom muda radicalmente, entrando num ritmo mais calmo como é de se esperar das produções asiáticas, porém com certa agilidade atípica.

A trama de “AS FACES DO DEMÔNIO” é muito boa, mas infelizmente sua sinopse e trailers entregam muitos spoilers. Eu sei que é difícil, mas se puder, evite-os. A direção de Hong-seon Kim é segura e nos traz uma situação cabulosa atrás da outra. Incrível como o cinema sul-coreano consegue entregar momentos brutos e ternos dentro de uma mesma situação, por mais desconfortável que seja. Pra não estragar, vou evitar descrever o desenrolar dos eventos, mas dá pra dizer que o clima de paranoia, ao bom estilo O ENIGMA DE OUTRO MUNDO do mestre carpinteiro, é muito bem construído e acaba sendo a base que sustenta toda trama. Porém, o diretor perde a mão quando tenta “enfeitar” alguns momentos que poderiam ser mais contidos.

O que chama atenção logo de cara, é a fotografia cristalina e com uma paleta de cor de fortes contrastes entre azul e laranja, típica do cinema mainstream de hollywood predominante, deixando claro que a produção foi feita pra o mercado internacional. Isso é ruim? Seria se fosse mal feito, o que não é o caso. Outra coisa que salta os olhos, é o trabalho de maquiagem artesanal, tanto do possuído como dos cadáveres que podem causar certa repulsa. O que incomoda mesmo é o mal uso de CGI em situações que não precisariam. Não é nem uma questão de purismo, é porque ficaram mal feitas mesmo.

Talvez, o problema aqui é que, para além da estética nitidamente feita pra o público internacional, temos excessos tipicamente hollywoodianos que vão agradar o público em geral, mas podem incomodar os apreciadores do horror asiático mais contido. É sério! Tem hora que a pessoa pergunta pra tela: “PRA QUÊ TUDO ISSO?”. Mas a situação principal concebida é tão intrigante que dá pra relevar esses “exageros ocidentalizados” e ficar tenso do mesmo jeito.

No geral, AS FACES DO DEMÔNIO é um bom filme não só pela narrativa equilibrada e aspectos técnicos, mas pela forma nada convencional de como é tratado o lance de possessão, tema tão mal explorado no cinema de horror nos últimos anos.

NOTA: É bom lembrar que ainda estamos em plena pandemia. Então, se for arriscar, ao menos respeite os protocolos de segurança.

Escala de tocância de terror:

Título original: Byeonshin
Direção: Hong-seon Kim
Roteiro: Kim Hyang-ji
Elenco: Sung-Woo Bae, Dong-il Sung, Young-nam Jang
Origem: Coréia do Sul

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RESENHA: #Alive (2020)

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Alive

O cinema sul coreano ganhou uma visibilidade incrivel nos últimos anos e hoje não é tão raro ver obras vindas de lá aportarem no cinema. Mas é claro que com a pandemia as coisas foram freadas e alguns filmes estão ganhando destaque via streaming. Este é o caso de #Alive, filme que estreou em seu país na reabertura dos cinemas com bastante êxito e está sendo distribuído mundialmente pela Netflix.

A trama acompanha um jovem rapaz, que sozinho no apartamento da família, tenta sobreviver a uma epidemia mortal que transforma os cidadãos em zumbis sedentos por carne humana. No passar de vários dias, com comida e água acabando e ataques cada vez piores das criaturas, o rapaz coloca em cheque a promessa que fez ao pai de sobreviver. E aos trancos e barrancos ele tentará cumprir o que foi pedido.

#Alive é um bom filme de zumbis que não coloca nada de novo na mesa, mas traz o básico que, em sua maior parte, é competente. O longa não enrola e logo nos primeiros minutos a confusão e o caos predominam. A primeira parte é a melhor, se passando em praticamente um único cenário, mostrando bem a sensação de solidão e medo do personagem com cenas de ação pontuais e mais comedidas. Vale comentar a ótima maquiagem dos monstros que lembram o conterrâneo “Invasão Zumbi” (Train to Busan).

Outra semelhança com o longa de zumbis mais famoso é a ambientação minimalista e o país. Sinceramente, essa sim deveria ser a sequência real dele, pois mesmo não sendo perfeita, se mostra bem superior à continuação oficial, chamanda “Península”.

Os problemas de #Alive vêm à tona em sua segunda metade, onde as sequências de ação se tornam inverossímeis demais (até para um filme de zumbis)… Meio que a produção se rende ao espetáculo ocidental apresentando exageros que tiram a atenção diversas vezes. O clímax acaba sendo forçado e emotivo demais querendo a todo custo arrancar lágrimas do público.

Concluindo… #Alive não é um divisor de águas do gênero, mas é divertido e tenso na maior parte de sua duração. Vale gastar o tempo assistindo as desventuras do protagonista e sua busca pela sobrevivência.

Escala de tocância de terror:

Título original: #Saraitda
Diretor: II Cho
Roteiro: II Cho,Matt Naylor
Elenco: Ah-in Yoo, Shin-Hye Park,Bae-soo Jeon e outros
País de origem: Coreia do Sul

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RESENHA: Dominação (2017)

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Dominação

[Por Felipe Macedo]

Estrelado por Aaron Eckhart e produzido por Jason Blum, “Dominação” (Incarnate) mais uma vez mostra a história de um jovem possuído por um demônio poderoso. Nosso herói aqui luta para derrotar o grande mal e salvar o dia. No entanto, o longa tenta vir com uma promessa de abordar o tema de uma forma diferente do que foi mostrado até hoje. (mais…)

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