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RESENHA: Mandy (2018)

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Mandy

[Por Júlio César Carvalho]

Confesso que fiquei satisfeito com o cinema de horror neste ano de 2018. Até o mês passado, já tinha minha listinha de melhores do ano fácil, algo que não acontecia há pelo menos uns dois anos. Mas aí, aos 45 do segundo tempo, me aparece MANDY, um filme de vingança estrelado por Nicolas Cage. Relutei, mas acabei assistindo e pasmem: É MASSA!

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Aviso que não adentrarei em questões filosóficas ou nas analogias no texto. Por saber que isso varia de pessoa pra pessoa, pode soar pretensioso impor minhas interpretações. Sendo assim, ficarei apenas nas minhas impressões sobre a estética audiovisual do longa.

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Como dito no início, MANDY é um filme de vingança e sua premissa é a mais simples e batida possível: Um casal feliz, Mandy (Andrea Riseborough ) e Red (Nicolas Cage), é atacado por um grupo de desconhecidos. Mandy é brutalmente assassinada na frente de Red, que é deixado pra morrer. mas acaba sobrevivendo e segue numa jornada suicida vingativa. Mas veja bem, tudo que é batido aqui fica só na premissa, pois é na execução do longa que a coisa pega.

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MANDY é escrito e dirigido por Panos Cosmatos (Beyond the Black Rainbow) que definitivamente sabe o que tá fazendo. O diretor nos concebe um filme que é um verdadeiro alucinógeno cinematográfico no qual o áudio e o visual servem para entorpecer o espectador a cada segundo. O cara sabe tanto o que tá fazendo, que todo o lance “viajado” não compromete a estrutura narrativa e nem o ritmo da produção. Aliás, recomendo muito seu filme anterior, onde ele vai além neste sentido.

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A fotografia de Benjamin Loeb é de encher os olhos e nos confere imagens, tanto nos planos abertos quanto fechados, que chegam a ser hipnotizantes. Temos aqui muitos flares, paletas de cores extremamente vívidas e de altos contrastes, muito slow-motion e algumas cenas com um leve efeito de atraso nos movimentos. Dando a sensação de estarmos sob efeito de alguma droga pesada. Até o jogo de luz e sombra é criativo e eficaz. Algumas cenas chegam a evocar aquele climão de HELLRAISER.

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Todas essas belas imagens são musicadas perfeitamente pelo experiente Jóhann Jóhannsson (A CHEGADA, SICARIO), que infelizmente veio a falecer em fevereiro deste ano. Os sintetizadores aqui são imponentes e soam como se as imagens tivessem aqueles sons naturalmente, servindo perfeitamente às cenas pra nos manter imersos num transe constante. Pra quem curte a vibe nostálgica 80tista, é um deleite.

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Aí você pode estar se perguntando “mas é de terror ou não?“. TOTAL! Não demora pra que o conforto de estar dormente vire desconforto. O gore aqui é generoso e “na sua cara”. MANDY é um filme violentíssimo e cruel. Sem contar que é tudo muito sujo e nojento, podendo até incomodar. Há algumas mortes que chegam doer só de olhar. MANDY tem seus momentos de ação e luta e são justamente onde o filme perde seu brilho por nos tirar do transe. Felizmente, isso acontece muito pouco e não estraga toda experiência.

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Para além de toda viagem estética e violência gráfica mencionadas, MANDY tem um fator que deve ser destacado: Nicolas Cage. Eu sou do time que evita filmes com ele e por isso fiquei receoso de ver esta beleza. Mas num é que ele tá bem? Na verdade, Nicolas Cage mal tem tempo ou espaço pra “ser Nicolas Cage” e por isso ele tá tão bem.

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No fim das contas, MANDY finda sendo a cereja do bolo deste ano, se mostrando uma produção autoral, com muita personalidade e que com certeza entrará nas listas de melhores produções do horror de 2018, inclusive na minha.

Escala de tocância de terror:

Direção: Panos Cosmatos
Roteiro: Panos Cosmatos, Aaron Stewart-Ahn
Elenco: Nicolas Cage, Andrea Riseborough, Linus Roache
Origem: EUA, Bélgica, Reino Unido
Ano: 2018

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  1. Pingback: RESENHA: A Cor Que Caiu do Espaço (2020) | Toca o Terror

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RESENHA: Predadores Assassinos (2019)

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Predadores Assassinos
[Por Osvaldo Neto]
Muitos fãs de terror estarão assistindo a PREDADORES ASSASSINOS nos cinemas no próximo final de semana. Mas nem todos nutrem a mesma expectativa quanto aqueles que tem algum conhecimento de causa a respeito do diretor Alexandre Aja. (mais…)

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RESENHA: Macabro (2020)

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Macabro

O fã de horror nacional é, antes de tudo, um otimista. A torcida pelos realizadores brasileiros é grande, ainda mais quando um filme como Macabro é anunciado. O longa dirigido por Marcos Prado (Paraísos Artificiais, O Mecanismo) se baseia em um dos casos mais sinistros dos anos 90: os irmãos necrófilos de Nova Friburgo, dois jovens que assassinavam mulheres e abusavam sexualmente dos seus cadáveres.

O filme relata a história sob o ponto de vista do Sargento Teo da PM (Renato Góes), personagem que carrega consigo o drama de ter matado um inocente por engano em uma operação policial. Esse equívoco é justamente o que o leva de volta ao interior do Rio de Janeiro, já que um sucesso na nova investigação poderia apagar tal mancha em sua carreira. Mas na cidade onde cresceu, além dos criminosos, Teo enfrenta seus próprios fantasmas: a morte da mãe, a relação com os tios que lhe criaram e o amor de infância pela prima.

Estabelecido o cenário inicial, a história de Macabro nos leva ao caso dos irmãos e o roteiro acerta muito quando lhes dá aspectos animalescos e irracionais, de algo que não pode ser contido com palavras, apenas na base da violência. Mostrar a população inteira armada, pronta para reagir de forma brusca, deixa o espectador inserido em um ambiente de medo, junto com as potenciais vítimas. Algumas cenas também assustam, mérito da direção.

Mas os acertos não vão muito além disso. Ao mesmo tempo em que o roteiro esconde certos pontos, para não entregar nada de mão beijada, o texto escorrega em não responder questões que ele mesmo levanta. Procurando explicações para o que teria transformado aqueles irmãos em verdadeiros monstros, Teo se depara com indícios de abuso doméstico, racismo, pedofilia e até o clichê ‘magia negra’, mas nada fica claro, nem ao menos subentendido. Os pontos simplesmente não se juntam. Há furos demais para uma história que não se propõe a uma grande reviravolta, já que ela caminha o tempo todo para o mesmo desfecho da vida real.

Por outro lado, o nível técnico impressiona e fica acima de média das produções de horror e suspense brasileiras, com destaque para a fotografia e a direção de arte. Isso talvez baste para o grande público. No último dia 8, por exemplo, Macabro conquistou o prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular do Brooklyn Film Festival, em Nova York. Com isso na bagagem, pode ser que o longa leve um bom número de pessoas aos cinemas quando a quarentena passar. Tomara.

Escala de tocância de terror:

Direção: Marcos Prado
Roteiro: Rita Glória Curvo e Lucas Paraizo
Elenco: Renato Góes, Amanda Grimaldi e Guilherme Ferraz
Origem: Brasil

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RESENHA: IT – A Coisa (2017)

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IT - A Coisa

As obras audiovisuais baseadas nos livros de Stephen King são sempre alvos de grandes expectativas e às vezes geram uma antipatia antecipada. Pior é que quase sempre essas previsões nefastas são acertadas. Filmes como “A Torre Negra” (2017) e a série “O Nevoeiro” (2017) são exemplos recentes disso. Com isso, o que poderíamos esperar dessa nova adaptação que fica centrado na infância dos protagonistas, deixando a conclusão para uma parte 2?

O livro “It” é um dos romances mais conhecidos do autor, ganhando uma minissérie no inicio dos anos 90 que ganhou o status cult no decorrer do tempo. Sem modéstia alguma, a obra televisiva se autopromovia com o subtítulo de “Uma obra prima do medo” apesar de dividir opiniões dos mais críticos. Vale dizer que neste filme de 2017, os produtores tomaram a liberdade de situar a história no final da década de 80 ao invés dos anos 60 mexendo já num contexto marcante para os amantes do telefilme original.

O que posso dizer é que “It- A Coisa” é um puta filmão! Violento, chocante e, de coração, confesso que o longa não decepciona quem procura uma boa diversão sangrenta e com conteúdo.

Nesta refilmagem (que também pode ser considerada uma nova adaptação), um grupo de crianças não exatamente populares na escola se autodenomina “o clube dos perdedores”, sendo alvos constantes de um cruel grupo de jovens. A vida comum da cidade de Derry no Maine leva um choque com uma série de misteriosos desaparecimentos de crianças. A terrível verdade é que só elas têm conhecimento de que uma criatura que toma a forma de um palhaço rapta e se alimenta de pessoas, acordando num ciclo de 27 anos causando caos e muita maldade. O filme me fez lembrar bastante outros clássicos dos anos 80 em que um grupo de crianças enfrentam o perigo juntos nas horas mais pesadas a exemplo de “Os Goonies” (1985) e “Conta Comigo” (1986), esse também da autoria de King.

O diretor Andy Muschietti, vindo do regular Mama (2013) entrega uma direção virtuosa mesclando momentos de verdadeiro horror com cenas alegremente doces que servem para que a gente crie vínculo com seus jovens protagonistas. O elenco está maravilhoso entregando atuações convincentes que vão do terror ao drama de forma natural. Destaco principalmente Bill Skargard, que vive o vilão Pennywise de uma forma realmente assustadora e que convence tanto quanto o icônico palhaço de Tim Curry.

Vale salientar a coragem do roteiro ao abordar temas polêmicos como pedofilia, racismo e alienação parental. Esses assuntos são mostrados de forma bem realista e pesada, fazendo um contraponto interessante com o seu antagonista. Afinal, apesar de Pennywise ser a ameaça principal, existem outras ameaças em Derry que são temidas e devem ser enfrentadas. Certamente “It – A Coisa” foi o melhor filme de terror de um grande estúdio no ano e que apesar de suas duas horas e meia, passa uma sensação de quero mais!

Escala de tocância de terror:

Diretor: Andy Muschietti
Roteiro: Chase Palmer, Gary Fukunaga, Gary Dauberman
Elenco: Jaeden Lierberher, Sophia Lills, Bill Skargard
Ano: 2017
País de origem: EUA

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