conecte-se conosco

Resenhas

RESENHA: O Sono da Morte (2016)

Publicados

em

Sono da Morte

[Por Júlio Carvalho]

Estamos na era dos filmes de terror ‘do bem’, nos quais as ameaças não são tão ameaçadoras assim, os demônios não são tão perigosos assim, as conclusões são forçadamente otimistas e o excesso de jumpscares passa a ser o principal atrativo dessas produções. Sucessos como a franquia Invocação do Mal e Annabelle estão aí pra comprovar isso. Dito isso, está em cartaz O Sono da Morte (Before I Wake) que tenta desastrosamente se enquadrar nessa categoria. Por mais bobos que sejam, tem filmes que ainda podem ser chamados de horror. Sendo que neste caso, nem isso.

O longa ao menos traz uma premissa até interessante: Jesse e Mark descobrem que não podem mais ter filhos e decidem adotar uma criança. É aí que Cody, um menino meigo e super educado, entra para a família recatada e do lar. Enquanto isso, Jesse faz terapia de grupo pra tentar superar a morte do pequeno Sean, o filho biológico do casal. Não tarda e logo descobrem que o filho adotivo tem um dom mágico de materializar seus sonhos.

Before.I.Wake.2016.1080p.BluRay.x264-[YTS.AG].mp4_snapshot_00.26.27_[2016.09.02_16.23.01]

Escrito e dirigido por Mike Flanagan, que ficou conhecido pelo bom Oculus (2013) e o recente Hush (2016), O Sono da Morte traz elementos de fantasia e terror. Essa mistura a princípio funciona bem.  A primeira aparição do falecido garoto, por exemplo, com a mesma feição da foto da família é cabulosa e ganha pontos por ser às claras mostrando a segurança do diretor. Mas essa segurança não dura muito, pois a partir da segunda metade do longa, tudo começa a soar didático demais. E esse didatismo só aumenta conforme o fim vai se aproximando. Fica a dúvida se Flanagan não confia na inteligência do público ou no próprio taco.

O destaque do filme fica para o pequeno Cody, que é vivido por Jacob Tremblay (O Quarto de Jack). O moleque é aficionado por borboletas e evita ao máximo dormir, carregando consigo uma caixa com energéticos. O ator mirim realmente faz tudo direitinho e sem exageros, ao contrário da fraquíssima Kate Bosworth (Terror na Ilha), que interpreta a fragilizada Jesse, sua mãe adotiva. Isso prejudica e muito o desenvolvimento dessa relação familiar, já que vem dela todas as atitudes importantes pra trama. Temos também o já conhecido canastrão do Thomas Jane (The Veil) no papel de Mark, o pai adotivo, que aqui, até que funciona bem, mesmo o personagem não tendo tanto peso pra trama que é focada na relação mãe e filho.

Before.I.Wake.2016.1080p.BluRay.x264-[YTS.AG].mp4_snapshot_00.36.29_[2016.09.02_15.10.19]

Quando os sonhos de Cody começam, borboletas luminosas se juntam para “trazer” o falecido Sean de volta a vida para o casal. Jesse então passa a mostrar uma face cruel antes desconhecida pelo marido, passando a usar o fragilizado garoto como uma espécie de portal do além, chegando até a drogar o menino pra prolongar seu sono. Mas como nem tudo são borboletas, o menino também tem pesadelos que, assim como os sonhos, se materializam e não são nada coloridos e amigáveis.

Então somos apresentados ao tal do “Homem Cancro”, que seria uma espécie de Freddy Krueger. Mas esta criatura não ataca as pessoas dentro do pesadelo, mas na realidade. O bicho se materializa e sequestra as pessoas para o além. Até seria legal, se a criatura gerada via computador não fosse simplesmente patética. Lembra um alienígena com anorexia. O monstro parece até que foi feito pra um jogo da primeira geração de Playstation. E isso é uma pena, pois por ter um visual bem simples, poderia muito bem ser interpretado em tempo integral por alguém fantasiado e maquiado, o que daria mais veracidade e, quem sabe, até medo.
Before.I.Wake.2016.1080p.BluRay.x264-[YTS.AG].mp4_snapshot_00.46.12_[2016.09.02_15.16.01]

Não basta o longa ser cansativo, tem de nos levar à uma conclusão bem previsível e explicadinha até demais. É curioso, já que isso vai contra seus longas anteriores, nos quais Flanagan primou por manter o mistério. Sem contar que aqui, tem aquela forçadinha de barra pra tentar arrancar lágrimas do espectador. Aí já é querer demais, né, cara? Tudo bem que no finalzinho tem um detalhe ousado e até intrigante com relação a Jesse, mas, infelizmente isso não é capaz de salvar o longa da mediocridade.

Sem querer ser cretino, mas já sendo, o grande problema de O Sono da Morte é que realmente dá um sono mortal (será esse o real motivo do título nacional?). Não é pelo ritmo lento ou pela premissa, que é boa, mas por uma execução medíocre que não mostra nada de assustador ou no mínimo interessante. É nítida a pretensão do cineasta de fazer parte da cena mainstream do horror atual, mas o drama familiar é abordado sem a sensibilidade necessária para envolver o espectador, denunciando assim que apesar de tecnicamente competente, o diretor tem que comer muito feijão com arroz pra chegar ao nível de um James Wan da vida (que nem é lá essas coisas, mas é o nome da vez).

Before.I.Wake.2016.1080p.BluRay.x264-[YTS.AG].mp4_snapshot_01.19.32_[2016.09.02_15.09.28]

No fim das contas, o filme não diz pra que veio, pois não consegue se assumir como horror de fato, resultando num filme bobo e decepcionante para os fãs do estilo. E se você ainda for encarar essa bomba no cinema, aconselho tomar umas latas de bebida energética antes. Se for assistir em casa (o longa está disponível no youtube completo, legendado e em HD), deixe uma garrafa cheia de café o mais próximo possível, pois vai precisar.

Escala de tocância de terror:
Título original: Before I Wake
Direção; Mike Flanagan
Roteiro: Mike Flanagan, Jeff Howard
Elenco: Jacob Tremblay, Kate Bosworth, Thomas Jane
Origem: EUA
TRAILER

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo
Clique para comentar

1 comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Resenhas

RESENHA: Raw (2017)

Publicados

em

raw

[Por Gabriela Alcântara]

É possível um filme ser grotesco e ainda assim ser extremamente belo e erótico. A prova pode ser vista em “Raw” (no Brasil traduzido também como “Grave”), de Julia Ducornau, que está disponível na Netflix. Apesar dele ter ganhado burburinho nos últimos anos por ter ganho diversos prêmios – incluindo o FRIPESCI da Semana da Crítica de Cannes – e teoricamente ter feito muitas pessoas vomitarem, confesso que evitei assisti-lo por um tempo – na verdade justamente por isso. (mais…)

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Resenhas

RESENHA: V/H/S (2012)

Publicados

em

vhs-poster1

Existe vida inteligente no found footage. Em meio a vários e vários filmes que exploram o estilo de falso documentário, é difícil encontrar algum que realmente se sobressaia. É aí que As Crônicas do Medo (V/H/S) entra na jogada. A trama é centrada em um grupo de criminosos cuja missão é encontrar uma misteriosa fita de vídeo em uma casa. Na busca pela fita certa, eles acabam encontrando e assistindo a uma série de vídeos de horror.

O enredo que se passa dentro da casa e amarra as pequenas histórias, que são independentes umas das outras, é fraca. Mas isso fica em segundo plano. O que aparece nas fitas encontradas é o que importa. São cinco curtas, cada um dirigido por um ou dois diretores. No total, são 10 dez profissionais dividindo a direção do filme.

Quando assisti ao trailer, algo que me chamava a atenção era como os efeitos especiais ficavam muito realistas quando inseridos em imagens de baixa qualidade (lembrando que a película é filmada totalmente com câmeras caseiras de VHS).

A primeira história mostra um grupo de jovens que compram uns óculos com uma mini-câmera e saem pelas baladas para filmar seus sucessos amorosos. Porém uma das moças que eles conhecem não é, digamos, muito sociável.

No segundo ato, acompanhamos um casal em uma viagem pelo interior dos EUA, onde eles registram tudo em vídeo. Nesse não dá pra falar mais sem entregar spoilers. É o único dos cinco onde o elemento sobrenatural não está presente, mas que possui um dos melhores finais.

O terceiro filme foi o que achei mais fraco. Um grupo de jovens vai a um lago no meio da floresta, fumar um e tomar banho pelado. É aí que eles têm uma desagradável surpresa. Apesar do roteiro fraco, a estética desse aqui deve ser apontada como um ponto a favor.

Na quarta história, temos um casal conversando pelas suas respectivas webcams. A menina acha que seu apartamento está sendo assombrado por fantasmas e sempre que algo de estranho acontece, ela liga para o cara para que ele a faça companhia. Muito boa história e efeitos.

Por falar em efeitos, é no quinto episódio que eles aparecem em sua melhor forma. Quatro jovens vão a uma festa na noite de Halloween e descobrem algo muito sinistro acontecendo na casa onde deveria estar acontecendo a farra.

A trama do grupo de criminosos tem um desfecho meia boca, mas isso não tira o mérito do filme. Concentre-se nos cinco curtas e divirta-se. A franquia teve mais duas sequências e a qualidade de alguns segmentos foi mantida, mas no geral também valem a pena serem vistos.

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Resenhas

RESENHA: Invasão Zumbi 2 – Península (2020)

Publicados

em

Peninsula

Esqueça o que você viu e gostou em “Invasão Zumbi” (Train to Busan). “Invasão Zumbi 2: Península” (Train to Busan 2: Peninsula) consegue ser tão genérico e pouco original que se não fosse da mesma franquia nem valeria a pena a conferida. Aliás, a ligação entre os dois filmes se dá apenas pela breve introdução em que falam que uma epidemia se espalhou por toda a Coreia do Sul e em pouco tempo o país ficou em lockdown total.

Neste começo até temos uma palhinha do que o filme poderia ser se não tivessem se perdido na megalomania. A cena no caso se passa em um navio de refugiados até o Japão onde um infectado faz mais estrago do que o exército que comanda a embarcação podia imaginar. Mas fica só nisso.

De resto, temos um salto de quatro anos onde mercenários em Hong Kong se especializam em saquear o que restou da Coreia do Sul enviando “mulas” em missões específicas. Aí é quando vemos que “Peninsula” vira um daqueles filmes pós-apocalípticos sem graça com direito a aqueles clichês que já vimos em “Resident Evil“, “Terra dos Mortos” e “The Walking Dead” com refugiados em bunkers contra zumbis que perambulam entre os escombros das cidades.

Se no primeiro filme desta franquia coreana tivemos como um dos pontos cruciais da trama um emocionante desfecho trágico em família, este longa utiliza-se disso como uma muleta para causar empatia com um núcleo de personagens. E falha miseravelmente. A mãe durona que tenta criar suas crianças com o pai/avô está longe de chamar atenção ou emocionar a quem já imagina que o destino deles não será dos mais felizes.

Tirando o aspecto tiro/porrada/bomba nos confrontos com os zumbis, os efeitos digitais deixam muito a desejar. As perseguições com carros atropelando zumbis lembram “Mad Max: Estrada da Fúria” num centro urbano mas com um CGI tão mal construído que parecem extraídos de “Guerra Mundial Z“, onde os mortos-vivos morrem igual a baratas e são vistos rapidamente em frações de segundos.

Considerando o sucesso mundial do primeiro filme, os produtores quiseram agora faturar alto com um orçamento bem maior e algumas concessões criativas transformando o longa em um tipo de filme de ação/aventura que por um acaso tem essas criaturas tão populares no universo do horror. A preocupação em atrair um público maior foi tanta que praticamente eliminaram a carnificina típica de um ataque zumbi para deixar as mortes dos vivos em off-screen.

Diante de tudo isso, não procure ter muitas expectativas ao assistir “Peninsula“. Claro que dependendo do seu grau de exigência, o filme possa ser um bom passatempo. O problema é que não se torna nada mais além disso, tornando-se aquele produto tipicamente enlatado que não precisaria ser revisto depois.

Escala de tocância de terror:

Diretor: Sang-ho Yeon
Roteiro: Sang-ho Yeon, Ryu Yong-jae
Elenco: Dong-won Gang, Jung-hyun Lee, Re Lee
País de origem: Coreia do Sul
Ano de lançamento: 2020

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Trending