conecte-se conosco

Resenhas

RESENHA: O Homem nas Trevas (2016)

Publicados

em

homemnastrevas_3

[Por Felipe Macedo e Jarmeson de Lima]

O diretor Fede Alvarez, retorna com seu novo trabalho, após ser descoberto pelo diretor Sam Raimi e juntos terem realizado o remake do clássico “Evil Dead – A Morte do Demônio“. O novo trabalho em questão é “O Homem nas Trevas” (Don’t Breathe), mais uma vez produzido pelo seu tutor hollywoodiano. O longa vem como desafio e servirá para provar se o diretor uruguaio seria realizador de um filme só ou se terá vida própria dentro da sétima arte.

O-Homem-nas-Trevas-5

A história de “O Homem nas Trevas” começa seguindo três jovens delinquentes, que vivem de invadir e roubar pertences de valor em casas ricas e desabitadas. São eles: Rocky (Jane Levy, repetindo a parceria com o diretor) como a mocinha de passado traumático, que junta a grana dos roubos para levar sua irmã embora de um lar abusivo; Alex (Dylan Minnete), um bom rapaz, que participa dos golpes claramente para ajudar Rocky, por quem tem uma paixonite; e Money (Daniel Zovatto), o típico bad-boy e namorado da mocinha.

Depois de mais um roubo bem sucedido, Money recebe a dica de que num bairro abandonado da cidade, existe uma casa habitada por um ex-veterano de guerra que ficou cego no Iraque. A possibilidade de haver uma grande quantia de dinheiro no local capaz de resolver os problemas financeiros de todos é o suficiente para fazer o trio cair em tentação. No caso, a tentação é ainda maior porque o pai de Alex trabalha em uma companhia de segurança, de onde o jovem aprende todos os macetes antes de executar cada roubo. Mas como é um filme, todos sabemos que esses planos relativamente simples sempre dão merda e o que seria “mais fácil do que roubar um cego”, logo se torna uma luta pela sobrevivência.

Dylan-Minnette-and-Jane-Levy-in-Dont-Breathe1

“O Homem nas Trevas” lembra em muitos momentos o recente “Hush – A Morte Ouve”, já que explora bastante a deficiência do protagonista. No filme citado, o que se explora é a audição e aqui a visão. O diferencial é que o grande protagonista é mesmo o Blind Man (Stephen Lang, ótimo no papel), um dos personagens mais controversos e vingativos do atual cinema de terror mainstream. Ele parece um Matt Murdock da terceira idade, mostrando que a combinação de idade e cegueira não o tornou nem um pouco indefeso. O personagem tem uma presença física incrível e suas poucas falas só ajudam dar mais crueldade à trama.

O tom do filme, uma vez dentro da casa do veterano cego, se torna extremamente claustrofóbico e os todos os atores se saem bem em demonstrar o terror e o desespero de seus personagens em uma casa que parece um labirinto sem saída. E como em todo labirinto, há sempre alguém que conhece o local muito bem e está sempre a um passo na frente deles.

Stephen-Lang-in-Dont-Breathe1

A fotografia escura e suja, cria um clima de opressão incrível. A escuridão contribui com o clima de medo, de onde nunca sabemos o que esperar dela. Em diversas cenas, a tensão é tão grande que você se vê igual aos personagens na tela prendendo a respiração em meio ao silêncio de segundos que parecem intermináveis em um sádico jogo onde já não existem mocinhos e vilões tão claros.

O tom escolhido por Alvarez é bem propício, criando boas situações e arrancando até risadas nervosas da plateia na hora certa. Um dos problemas para o público, no entanto, podem ser as “viagens de câmera” dentro da casa, usadas a exaustão mesmo quando a gente já entende o motivo ou prevê o que vai ser exibido.

DontBreathe-dark

Embora seja bem bacana, “O Homem nas Trevas” derrapa um pouco em erros primários de seu roteiro (co-escrito pelo diretor Alvarez) apelando para situações clichês e piegas, além do gore atenuado. Ainda assim, dentro deste universo de horror cristão, há de se louvar a ousadia do filme com suas reviravoltas impactantes, incluindo ainda uma cena de grande perversidade e violência simbólica. Pode não ser o grande filme que a maioria vai adorar, mas certamente já se destacou entre os lançamentos do semestre.

Escala de tocância de terror:

Direção: Fede Alvarez
Roteiro: Fede Alvarez e Rodo Sayagues
Elenco: Stephen Lang, Jane Levy e Dylan Minnette
País de origem: EUA
Ano: 2016

* Filme visto na cabine de imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark Rio Mar

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

"Nós deixamos de procurar os monstros embaixo de nossas camas, quando percebemos que eles estão dentro de nós"

Continue lendo
Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Resenhas

RESENHA: Invocação do Mal 3 – A Ordem do Demônio (2021)

Publicados

em

Invocação do Mal 3

O Casal Warren está de volta com mais uma aventura tenebrosa. “Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio” (The Conjuring: The Devil Made Me Do It) estava deixando os fãs em polvorosa na internet antes da estreia. Todos estavam especulando se esse novo capítulo do invocaverso seria o melhor de todos. A dúvida era se depois de uma espera de quase um ano de adiamentos devido a pandemia do coronavirus, valeria a pena reencontrar os queridos personagens vividos por Vera Farmiga e Patrick Wilson.

O roteiro nos leva ao início dos anos 80, onde os Warren mais uma vez acompanham o exorcismo de uma criança. Desta vez, no entanto, a possessão não termina tão bem e deixa um de seus participantes sequelados pela força maligna. Tempos depois, o rapaz possuído acaba cometendo um crime bárbaro, é preso e sua defesa nos tribunais vai alegar que o diabo foi o mandante do crime. O casal instruído por sua advogada começa a fazer uma investigação paranormal para comprovar a existência do mal. O que eles não sabiam é que algo mais sinistro estava envolvido.

Eu confesso que gosto dos filmes anteriores da franquia principal e mesmo não tendo achado essa nova parte horrenda, tenho que admitir ela é bastante problemática. O longa sofre com uma grande crise de identidade. Os produtores não sabem que caminho seguir, se vão para o lado investigativo e sutil ou se continuam como um terror blockbuster convencional. Nesse impasse, foram capazes de não conseguirem agradar nenhuma das propostas.

As cenas de jumpscares são até agora as mais cretinas que já vi nesse ano de 2021. O lado bom é que são bem menos frequentes que nos outros exemplares. A investigação é morna e lotada de conveniências de roteiro, além de não desenvolver bem o que é apresentado. Tudo é literalmente jogado na cara do público.

Por um lado, temos uma novidade nesta parte 3 de “Invocação do Mal”. Somos apresentados à primeira vilã humana da franquia. Mas ela é tão genérica em todo o conceito que mesmo se fosse mais uma assombração, isso não faria diferença. Seu visual também não fica muito longe de uma Freira Valak da vida.

O lado bom é a inegável química de seus protagonistas. Não tem como não ficar do lado deles e a maior força do longa vem daqui. As partes mais sutis conseguem passar aquele clima sinistro e arrepia muito mais do que qualquer uma assombração gritalhona. Pena que são poucos os momentos assim.

O diretor Michael Chaves de “A Maldição da Chorona” demonstra uma melhora considerável na direção, mas ainda assim parece um James Wan genérico. Falando nele, o realizador original fez falta na hora de conduzir os momentos de malassombro pipoca.

Enfim, “Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio” é um filme bem fraco, mas ainda assim melhor que os últimos spin-offs do invocaverso (o que sinceramente não é algo muito difícil). O fã terá de se contentar com algumas referências bem diretas a “O Exorcista”, umas cenas mais piegas que o anterior e um pouquinho só de terror.

Escala de tocância de terror:

Título original: The Conjuring – The Devil Made Me Do It
Direção: Michael Chaves
Roteiro: David Leslie Johnson-Mcgoldrick
Elenco: Vera Farmiga, Patrick Wilson, Ruairi O´Connor e outros.
Ano de lançamento: 2021

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Resenhas

RESENHA: A Mata Negra (2018)

Publicados

em

Mata Negra

[Por Jota Bosco]

Começo logo essa resenha dizendo que sou suspeito pra falar do trabalho de Rodrigo Aragão pelo motivo de: sou tiete! O cara é, sem sombra de dúvidas, o maior representante das produções de horror no país atualmente. Passo a passo foi crescendo como produtor e diretor, conquistando seu espaço e indo, apesar dos poucos recursos, onde ninguém tinha ido antes no gênero aqui no país. Faz filme com cara de produção hollywoodiana e consegue até captação de verba por edital sem ser filme de gente que mora no Sertão com mensagem bonita no final. (mais…)

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Resenhas

RESENHA: Mãe! (2017)

Publicados

em

Mãe

Assistir a um filme de Darren Aronofsky é sempre uma experiência interessante. Bem ou mal, ele tem conseguido imprimir sua marca e suas fórmulas visuais na tela. E se você está cansado de ver historinhas simples sendo contada de uma forma convencional, tenha certeza de que “Mãe!” (Mother!) é o que você procura.

Não digo com isso que é um filme totalmente despirocado e nonsense. Mas dependendo da sua paciência para ver duas horas de um roteiro que flerta com o surreal para depois lhe pegar desprevenido, “Mãe!” pode vir a ser uma surpresa ou uma catástrofe. Eu mesmo fiquei me equilibrando nessa corda bamba sem saber bem se estava ou não gostando do que estava se passando até o último segundo. Uma coisa é certa: assim como foi com outros filmes, Aronofsky vai dividir opiniões e ser muito comentado pela controvérsia narrativa.

Na verdade, “Mãe!” lembra de certa forma dois filmes bem curiosos. Um é “Fonte da Vida”, do próprio Aronofsky. E o outro é “O Anjo Exterminador”, de Buñuel. Tentaram vendê-lo como “O Bebê de Rosemary” por conta dos personagens principais, mas a película de Polanski serve apenas como uma vaga comparação. Parece-me às vezes que Aronofsky faz um filme não pro estúdio ou pro público, mas só pra ver o que vai dar. Uma coisa meio “arte pela arte” para ficar bonito em seu portfólio.

Pra quem já conhece a peça, digo, diretor, sabe que ele tem uma certa predileção e sadismo por mostrar personagens sofridos, que vão se acabando em um martírio cada vez maior até chegar ao fundo do poço da mais profunda tristeza. Isso aqui não é nada difícil de prever, mas desta vez ele exagera. Veja bem, se estou que o diretor de “Réquiem Para um Sonho” e Cisne Negrodeu uma forçada de barra, então segura o que vem por aí.

Com este alerta, o que poderia dizer agora? Se você veio atrás de um resumo da história de “Mãe!”, admito que será frustrante dizê-lo sem spoilers ou interpretações pessoais. Basicamente é a saga de um casal que vive a sós numa casa reformada no meio do mato e que um dia passa a receber visitas, de forma que a anfitriã logo se sente como uma convidada indesejada. E dentro deste argumento cinematográfico ainda deu para falar sobre maternidade, idolatria, traição, religiosidade, fanatismo, morte e, claro, amor. Aquele amor incondicional de mãe, sabe como é – afinal, o título não é só uma pegadinha.

Agora pense em tudo isso aí com uma boa dose de metáforas visuais e diálogos repletos de simbolismo. Pode parecer chato e pretensioso como dizem, mas até que acaba funcionando. Parte dessa estranheza vem de três coisas: a atuação e os closes no rosto de Jennifer Lawrence em mais da metade das cenas do filme; as imagens capturadas em 16mm e o acúmulo de reviravoltas em sua reta final. É tão tenso e inusitado que bate um desespero em tentar decifrar o que estamos vendo. Para alguns, este desespero vai resultar num sonoro “bela bosta!” e para outros um contido “ca-ra-lho!“. A certeza é que ao final ninguém vai passar batido por uma obra de Aronofksy de novo.

#Spoilers(?!) de “Mãe!”

Palavras do diretor sobre o filme:
“Eu queria fazer um filme sobre a Mãe Terra e como nós a tratamos. Da maneira que eu vejo, nós a tratamos de uma forma extremamente desrespeitosa. Nós a saqueamos, estupramos, chamamos-a de lixo. Por isso Jennifer Lawrence interpretou o papel daquele jeito. Eu olhei a Bíblia e como o Velho Testamento é escrito. Quando você pensa naquele Deus, se você não reza para ele, ele te mata. Que tipo de personagem faz isso? Para mim, era tudo sobre interpretar a emoção humana.”

Escala de tocância de terror:

Diretor: Darren Aronofsky
Roteiro: Darren Aronofsky
Elenco: Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris e Michelle Pfeiffer
Ano de produção: 2017
País de origem: EUA

* Filme visto na Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark Rio Mar.

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Trending